Como transferir um contorno de pintura por números do papel para a tela
As melhores formas de passar um contorno de pintura por números impresso para uma tela de verdade — papel de transferência de grafite, o truque do lápis esfregado, o método de grade, o decalque com projetor e a transferência a ferro para tecido.
Pintar uma pintura por números numa tela de verdade, com tinta a óleo ou acrílica, começa com um problema: o contorno numerado está no papel, e você precisa desses contornos na tela. Não dá para pintar sobre a própria impressão — a tinta a óleo iria encharcá-la e enrugá-la —, então as linhas precisam ser transferidas. Este guia cobre as formas mais confiáveis de passar um contorno impresso para uma tela esticada, qual escolher e as poucas coisas que fazem diferença especificamente quando você pinta a óleo.
Tudo aqui pressupõe que você já tenha o contorno no papel. Se ainda não tiver, comece por baixar e imprimir a tela em branco — aquela página mostra o passo a passo de exportar a sua pintura como um PDF ou PNG imprimível, em A4 ou A3, com a legenda de paleta que você vai manter ao lado enquanto pinta.
Método 1 — Papel de transferência de grafite (o padrão confiável)
O papel de transferência de grafite é uma folha fina revestida de um lado com grafite apagável. Você o coloca, com o lado revestido para baixo, entre a impressão e a tela e depois passa por cima de cada contorno com uma ponta seca (stylus), uma caneta esferográfica vazia ou um lápis duro. A pressão deposita uma linha leve de grafite na tela exatamente onde você traça. É o método com que a maioria dos artistas fica, porque é preciso, barato e funciona tanto em placas de tela preparada quanto em tela esticada.
- Prenda a tela com fita, posicione a folha de grafite e depois prenda a impressão por cima, para que nada se desloque no meio do traçado.
- Trace com uma caneta colorida ou pressione firme com um lápis de cor, para você conseguir ver quais linhas já fez — contornos transferidos pela metade são o erro mais comum.
- Levante um canto para conferir se a linha está sendo transferida antes de se comprometer com a coisa toda; ajuste a pressão conforme necessário.
Método 2 — O truque do lápis esfregado (grafite caseiro)
Sem papel de transferência à mão? Faça o seu. Vire a impressão do avesso e rabisque um lápis macio (um 4B–6B) por todo o verso, cobrindo as áreas atrás das linhas. Depois prenda-a com fita, com a frente para cima, sobre a tela e trace os contornos pela frente — o lápis no verso se transfere para a tela como uma folha de transferência caseira. É de graça e surpreendentemente bom; as únicas desvantagens são uma linha mais fraca e uma impressão enegrecida de grafite, então faça o esfregado numa cópia se você quiser manter o original limpo como legenda.
Método 3 — O método de grade (para ampliar)
Se a sua tela for maior que o papel — você imprimiu em A4, mas quer pintar uma tela grande —, o decalque não escala. O método de grade escala. Desenhe uma grade leve de quadrados iguais sobre a impressão e depois desenhe uma grade com o mesmo número de quadrados sobre a tela (quadrados maiores, mesma quantidade). Agora copie os contornos um quadrado de cada vez, usando cada quadrado como uma janela. Leva mais tempo e exige mão firme, mas não precisa de nenhum material especial e amplia o desenho com a mesma precisão com que você se dispuser a ter cuidado.
Método 4 — Projetor ou decalque com luz
Se você tem um pequeno projetor — ou um projetor de celular com lente —, dá para projetar o contorno (ou um escaneamento dele) direto na tela e traçar os contornos a lápis. É a forma mais rápida de cobrir uma tela grande e serve para qualquer tamanho. Um primo mais barato funciona só para superfícies finas: prenda a impressão atrás do papel-tela numa janela iluminada ou numa mesa de luz e trace as linhas que aparecem em transparência. Esse truque de luz não funciona através de uma tela esticada grossa e opaca, mas é útil para blocos de papel-tela e papel.
Método 5 — Transferência a ferro (calor)
O calor também consegue levar o contorno para o outro lado, e ele brilha em tecido — algodão ou linho cru, uma ecobag de lona, um pano de prato. O clássico do artesanato é o lápis de transferência térmica (vendido para bordado): trace os contornos no verso da impressão com o lápis de transferência, deite-a com o lado traçado para baixo sobre o tecido e pressione com um ferro quente e seco — as linhas traçadas se transferem para o pano. Mantenha as linhas finas; as marcas do lápis de transferência costumam ser rosa ou vermelhas e não apagam, então elas precisam terminar debaixo da tinta.
Uma segunda variante usa a própria impressora: o toner de uma impressão a laser recém-saída (não jato de tinta) pode ser passado a ferro com a face para baixo sobre o tecido, e parte dele se transfere. É rápido, mas o resultado varia — funciona melhor em algodão liso e sem imprimação e é pouco confiável numa tela esticada preparada com gesso —, então sempre teste antes num canto ou num retalho. Evite o “papel transfer para camiseta” de jato de tinta em qualquer coisa que você pretenda pintar: ele funde uma película plástica na superfície, e a tinta adere mal à película.
Qual método você deve usar?
- Tela do mesmo tamanho, preparada e opaca → papel de transferência de grafite
- Sem materiais, mantendo de graça → lápis esfregado no verso de uma cópia
- Tela maior que o papel → método de grade ou um projetor
- Papel-tela fino ou um bloco → decalque na janela / mesa de luz
- Tecido cru — algodão, linho, uma ecobag → transferência a ferro
- Papel-carbono ou de cera sob tinta a óleo — sangra ou repele a tinta
- Pressionar com tanta força que marca a trama da tela
- Linhas de transferência grossas e escuras que aparecem através de tinta fina
- Transferir os numerozinhos em vez de manter a legenda impressa
- Passar a ferro a película transfer de camiseta numa superfície que você pretende pintar
Acertando na pintura a óleo
A tinta a óleo é opaca e lenta, o que costuma perdoar bastante — uma linha leve de grafite some sob a primeira camada de verdade. Duas coisas merecem um momento de cuidado. Primeiro, mantenha as linhas transferidas leves: em passagens finas ou claras, uma linha pesada pode transparecer, então trace com mão leve e apague o que estiver escuro demais antes de pintar. Segundo, se você se preocupa que o grafite suje as cores muito claras, borrife o desenho com um pouco de fixador (fixador trabalhável) e deixe secar antes de pintar — isso fixa as linhas para que não borrem na tinta a óleo. O acrílico se comporta do mesmo jeito, só que mais rápido.
Do monitor à tela, do começo ao fim
Juntando tudo, o caminho completo é: converter a sua foto, baixar a tela em branco, imprimi-la, transferir o contorno e pintar. Se você já sabe desde o início que vai pintar numa tela de verdade, um nível de detalhe mais baixo rende um contorno bem mais fácil de traçar — regiões menos numerosas e maiores —, o que abordamos em como a quantidade de cores muda a dificuldade. Para as vantagens e desvantagens de pintar no papel ou na tela frente ao monitor, veja pintura por números: digital ou físico, e, se isto for virar presente, o guia de presentes personalizados traz ideias de acabamento e moldura. E, com o contorno já na tela, a outra metade do trabalho é a paleta — escolher e misturar as tintas mostra quais tintas comprar e como misturar cada cor numerada. Quando você estiver pronto, transforme uma foto numa pintura e leve-a até a tela.
Perguntas frequentes
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